O recente desabafo e a estratégia tornada pública pelo marketing de Alessandro Vieira (veja recorte) em publicação no Instagram nesta quarta-feira (30) – tentando desenhar um cenário onde ele seria o “único capaz de frear André Moura”, enquanto deliberadamente poupa Rogério Carvalho e o afasta de uma possível reação mais dura – revelam menos força eleitoral e muito mais o desespero de quem percebeu, tarde demais, que seu mandato em Brasília será de passagem única.
A manobra ficou escancarada. O material de ataque disparado nas redes, uma crítica requentada a André Moura, foi a cartada ensaiada e retida à espera de um momento crítico, com o objetivo claro de gerar engajamento artificial para, logo em seguida, inflar o próprio perfil com postagens de campanha. É o sintoma cabal de uma candidatura sem densidade popular, que não empolgou o eleitorado, e que precisa apelar ao escândalo para atrair olhares que suas propostas não conseguem reter.
Esse comportamento traduz a grande contradição que sela o destino do delegado Alessandro Vieira. O eleitor sergipano se cansou do discurso moralista de quem faz a política tradicional de bastidor, mas insiste na farsa de se colocar acima dela. A pose de paladino e justiceiro, que tenta interditar adversários com retórica policialesca enquanto articula sua política nos mesmos moldes que condena, perdeu a validade.
Diante do cansaço generalizado com esse blablablá de aparências e manobras de desespero que visam apenas salvar uma cadeira, o eleitorado busca segurança: prefere a política real, previsível e focada em resultados concretos para Sergipe. Ao transformar sua campanha em um teatro de cliques e ataques de última hora, o senador não apenas confirma sua incoerência crônica, mas antecipa o veredito das urnas, que não costumam conceder um segundo mandato a quem nunca soube honrar a confiança do primeiro.


