O debate sobre o fim gradual da escala 6×1 ganha força no Congresso Nacional e já provoca preocupação em diferentes setores da economia. Enquanto a proposta avança na Câmara e no Senado, representantes do setor produtivo alertam para possível aumento de custos operacionais, e o mercado financeiro demonstra cautela quanto aos reflexos nas contas públicas.
A proposta em discussão prevê a redução da jornada semanal de trabalho, atualmente fixada em 44 horas pela Constituição, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o artigo 7º. Especialistas da área fiscal avaliam que, para que a medida seja aprovada, será necessário algum tipo de concessão durante a tramitação.
No mercado, a expectativa é de que o deputado Paulo Azi (União Brasil), apontado como possível relator da PEC, conduza o texto com moderação, buscando equilíbrio entre as demandas trabalhistas e a responsabilidade fiscal.
A diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, acompanha de perto as discussões no Legislativo e em diversos segmentos da economia. Segundo ela, as negociações indicam a possibilidade de um acordo que inclua a desoneração da folha de pagamentos como forma de compensar eventuais aumentos de custos para as empresas — medida que, por outro lado, enfrenta resistência da equipe econômica.
Para a economista, a simples redução da jornada 6×1 não gera impacto fiscal direto, mas tende a elevar custos para o setor produtivo. Já uma eventual desoneração da folha traria impacto nas contas públicas. Ela alerta que o Orçamento não comporta novas despesas, nem em 2026 nem nos anos seguintes, diante do esforço atual para cumprimento das metas fiscais.


