[*] Luciano Barreto
No Brasil, grandes obras públicas costumam ser lembradas mais pelas promessas que as antecedem do que pelo serviço que efetivamente prestam. Hospitais inaugurados sem funcionamento pleno e estruturas entregues com improvisos infelizmente ainda fazem parte do noticiário. Por isso, quando uma obra cumpre e continua cumprindo o que se espera dela, dispensa explicações. Ela fala por si.
Após a entrega do Hospital do Câncer de Sergipe Governador Marcelo Déda, em Aracaju, nós da Construtora Celi estamos agora na fase final de outra estrutura hospitalar de grande porte, que é o Hospital da Criança do Recife, em Pernambuco. São duas obras complexas, em capitais diferentes, com exigências técnicas distintas, mas com o mesmo grau de responsabilidade pública.
Esse encadeamento, no entanto, não é casual. Ele revela a importância de método, da capacidade operacional e da maturidade técnica na condução de projetos públicos de alta complexidade. O Hospital do Câncer de Sergipe representa um avanço concreto para a saúde pública do Estado e insere Sergipe, definitivamente, no cenário nacional do bom cuidado oncológico. Trata-se de um equipamento concebido para operar plenamente, sem improvisos, atendendo a uma demanda histórica da população.
Em Engenharia, esse resultado não nasce de mera intenção ou do discurso. Nasce de projeto consistente, da execução rigorosa e da compreensão profunda do uso futuro da edificação. Hospitais desse porte exigem precisão absoluta. Sistemas críticos de climatização, fluxos separados para pacientes, equipes e materiais, redundância energética e ambientes projetados para operar sob pressão permanente. Cada decisão construtiva impacta diretamente o atendimento, a segurança clínica e a eficiência do serviço público.
Nestes casos, não se constrói apenas um prédio. Longe disso. Constrói-se uma condição contínua de cuidado. Essa mesma lógica orienta a obra do Hospital da Criança do Recife. Uma unidade hospitalar pediátrica exige ainda mais sensibilidade técnica, integração entre disciplinas e atenção ao ambiente humano. Não se trata apenas de cuidar de doenças, mas de acolher crianças e famílias em situações extremas. O desafio é técnico, operacional e social.
Participar de obras dessa magnitude é motivo de orgulho para nós da Celi, não por vaidade institucional ou pessoal, mas porque elas refletem a capacidade de uma equipe formada ao longo de 58 anos de existência da empresa, acostumada a lidar com complexidades reais. Cada pavimento executado, cada sistema integrado e cada etapa testada seguem o mesmo princípio: planejamento rigoroso, método e responsabilidade com o impacto social do que se constrói.
Ao longo de quase seis décadas, consolidamos uma forma de trabalhar baseada em processos, em formação técnica e em rigorosa cultura de equipe. Grandes obras não são fruto de decisões individuais, mas de um esforço coletivo que envolve engenheiros, técnicos, mestres de obra, operários e gestores comprometidos com padrões elevados de execução.
O reconhecimento público recebido após a conclusão do Hospital do Câncer de Sergipe, inclusive por parte do ex-governador Jackson Barreto, tem valor justamente por não ser retórico. Trata-se de constatação objetiva de quem acompanhou de perto os desafios técnicos e operacionais da obra. O mesmo ocorre agora no Recife, onde o prefeito João Campos tem destacado a importância estrutural e social do Hospital da Criança para a rede pública de saúde da capital dos pernambucanos.

Somos uma empresa sediada no menor Estado da federação. Mas isso nunca foi limitador. Ao contrário: foi estímulo permanente para demonstrar que capacidade técnica, profissionalismo e seriedade não dependem do geografísico, mas de método, de formação e de compromisso.
Sergipe foi nossa escola e nosso campo real de prova. Recife é mais um território onde esse aprendizado se materializa. Entregar dois grandes hospitais públicos, em capitais distintas e contextos diferentes, não é apenas um feito construtivo. É uma demonstração de que a engenharia pública pode e deve operar com previsibilidade, rigor e respeito aos cidadãos.
Obras dessa natureza serão avaliadas diariamente pelos serviços que prestam, pelo funcionamento contínuo e pelo impacto real na vida das pessoas. Quando isso acontece, a obra deixa de pertencer a quem a construiu e passa a pertencer à sociedade. Sobretudo à posteridade. Para quem atua na engenharia pública, não há reconhecimento maior e melhor.
[*] É engenheiro civil e presidente da Construtora Celi.
Fonte: Jozailto Lima – jlpolitica.com.br


